
Pode faltar diesel no Brasil em 20 dias, alerta setor
O preço internacional do petróleo voltou a se aproximar dos US$ 100 por barril nesta quinta-feira (12), registrando alta próxima de 6% no dia. A escalada ocorre em meio à tensão provocada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que mantém o tráfego no Estreito de Ormuz praticamente interrompido — uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo. Diante da forte volatilidade no mercado, a Agência Internacional de Energia anunciou a liberação de cerca de 400 milhões de barris de petróleo provenientes de reservas estratégicas mantidas por mais de 30 países, numa tentativa de conter a disparada dos preços. Para Sérgio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a medida pode ajudar, mas não resolve o problema central. Segundo ele, a interrupção logística na região produtora tem impacto muito maior que a liberação de estoques. “Temos dimensões muito diferentes. A liberação de reserva estratégica reduz o estoque, mas a geração de petróleo é que está sendo afetada. Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait estão reduzindo a produção por falta de capacidade de escoamento. Esse impacto é muito maior do que a liberação”, afirmou em entrevista ao programa Pré-Market, do Times Brasil. Desde o início do conflito, o valor do barril subiu de aproximadamente US$ 65 para perto de US$ 100. Apesar disso, as refinarias da Petrobras ainda não promoveram reajustes nos preços dos combustíveis. Na avaliação de Araújo, essa defasagem em relação à paridade internacional já se prolonga por tempo excessivo e começa a gerar efeitos concretos no mercado. Importadores e refinarias privadas já repassaram os aumentos ao consumidor final, fazendo com que os postos abastecidos por essas fontes registrem alta nos preços. Já regiões dependentes da Petrobras ainda não sentiram o impacto. O problema, segundo ele, é que a diferença entre os valores internos e externos desestimula novas importações. Nenhum operador aceita comprar combustível mais caro no exterior para vendê-lo com prejuízo no mercado interno. Araújo alerta que essa retração nas importações pode levar a problemas de abastecimento em poucas semanas. “Já enxergamos um risco potencial de desabastecimento daqui a uns 20 dias, em abril. As refinarias nacionais não têm capacidade de atender a demanda sozinhas, especialmente no diesel. Precisamos importar em torno de 30% do que consumimos. Ficando dez dias sem realizar fechamento de negócio, esse produto não contratado pode fazer falta e gerar desabastecimento em algum ponto do país”, afirmou. O diesel é considerado um combustível estratégico para a economia brasileira, especialmente para o transporte de cargas e para o agronegócio, que atualmente atravessa o período de colheita. Qualquer escassez pode elevar os custos de frete, pressionar o preço dos alimentos e impactar a inflação. Outro fenômeno que começa a aparecer no mercado é a antecipação de compras por parte de consumidores que têm condições de estocar combustível. De acordo com Araújo, muitos motoristas estão abastecendo mais do que o habitual diante da expectativa de aumento nos preços. Esse comportamento tende a elevar a demanda no curto prazo e pode agravar eventuais dificuldades de abastecimento, criando escassez pontual mesmo antes de uma falta efetiva de combustível. Embora considere positiva a decisão da Agência Internacional de Energia de liberar parte das reservas estratégicas, Araújo ressalta que a medida tem efeito limitado enquanto o bloqueio no Estreito de Ormuz continuar afetando os fluxos globais de petróleo e mantendo elevada a incerteza no mercado internacional. Foto: EBC Reprodução:Times Brasil













