Além do músculo: tomar creatina todos os dias reduz risco de câncer
Pesquisadores que analisaram dados de mais de 25 mil adultos nos EUA identificaram uma relação inversa linear entre o consumo dietético de creatina e a incidência de câncer: para cada desvio-padrão adicional de ingestão, o risco diminuiu cerca de 5 %. Os resultados são mais fortes entre homens e pessoas com sobrepeso, e sugerem que, entre os idosos, a creatina dietética pode exercer um papel ainda mais protetor, mas novas pesquisas prospectivas são necessárias para confirmar essa hipótese. A creatina, mais conhecida como suplemento usado por atletas, tem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e moduladoras do sistema imunológico. No entanto, seu papel no contexto do câncer ainda é pouco compreendido. Para explorar essa questão, pesquisadores utilizaram dados do inquérito nacional de saúde e nutrição dos EUA (NHANES, 2007-2018) para investigar se a ingestão dietética de creatina se associa ao risco de câncer. No total, participaram 25.879 adultos com 20 anos ou mais, cujos dados alimentares, perfil clínico e variáveis de confusão foram controlados em modelos estatísticos. Relação direta entre creatina recreativa e risco de câncer A análise por splines restritos revelou uma associação linear negativa entre a ingestão de creatina via dieta e o risco de câncer: cada aumento de um desvio-padrão no consumo foi relacionado a uma redução de 5 % no risco ajustado. Essa associação protetora foi mais pronunciada entre homens e participantes com sobrepeso. Além disso, ao estratificar por idade, observou-se que entre adultos mais velhos, a associação negativa persistiu de modo estatisticamente significativa. Idade e risco de câncer: efeito linear direto A mesma análise mostrou que a idade se relaciona positivamente com o risco de câncer: para cada desvio-padrão de aumento na idade, o risco de câncer subiu cerca de 3,27 vezes. Esse resultado reforça o papel da senescência e acúmulo de fatores de risco ao longo da vida no desenvolvimento de tumores. Dessa forma, embora a creatina dietética pareça exercer efeito protetor, a influência do envelhecimento no risco de câncer permanece dominante nos modelos ajustados. Implicações, limitações e caminhos futuros Esses achados apontam para a possibilidade de que a creatina, além de seu uso esportivo, possa ter um papel secundário de proteção contra câncer em populações gerais. Porém, por tratar-se de um estudo transversal e observacional, não é possível estabelecer causalidade. Fatores não medidos ou vieses de confusão poderiam influenciar os resultados. Para confirmar essa hipótese, são necessárias pesquisas prospectivas, com seguimento ao longo do tempo, e ensaios clínicos que avaliem diretamente os efeitos da suplementação de creatina sobre marcadores tumorais ou incidência de câncer. Fonte: Agência Correio

Pesquisadores que analisaram dados de mais de 25 mil adultos nos EUA identificaram uma relação inversa linear entre o consumo dietético de creatina e a incidência de câncer: para cada desvio-padrão adicional de ingestão, o risco diminuiu cerca de 5 %.
Os resultados são mais fortes entre homens e pessoas com sobrepeso, e sugerem que, entre os idosos, a creatina dietética pode exercer um papel ainda mais protetor, mas novas pesquisas prospectivas são necessárias para confirmar essa hipótese.
A creatina, mais conhecida como suplemento usado por atletas, tem propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e moduladoras do sistema imunológico. No entanto, seu papel no contexto do câncer ainda é pouco compreendido.
Para explorar essa questão, pesquisadores utilizaram dados do inquérito nacional de saúde e nutrição dos EUA (NHANES, 2007-2018) para investigar se a ingestão dietética de creatina se associa ao risco de câncer.
No total, participaram 25.879 adultos com 20 anos ou mais, cujos dados alimentares, perfil clínico e variáveis de confusão foram controlados em modelos estatísticos.
Relação direta entre creatina recreativa e risco de câncer
A análise por splines restritos revelou uma associação linear negativa entre a ingestão de creatina via dieta e o risco de câncer: cada aumento de um desvio-padrão no consumo foi relacionado a uma redução de 5 % no risco ajustado.
Essa associação protetora foi mais pronunciada entre homens e participantes com sobrepeso. Além disso, ao estratificar por idade, observou-se que entre adultos mais velhos, a associação negativa persistiu de modo estatisticamente significativa.
Idade e risco de câncer: efeito linear direto
A mesma análise mostrou que a idade se relaciona positivamente com o risco de câncer: para cada desvio-padrão de aumento na idade, o risco de câncer subiu cerca de 3,27 vezes.
Esse resultado reforça o papel da senescência e acúmulo de fatores de risco ao longo da vida no desenvolvimento de tumores.
Dessa forma, embora a creatina dietética pareça exercer efeito protetor, a influência do envelhecimento no risco de câncer permanece dominante nos modelos ajustados.
Implicações, limitações e caminhos futuros
Esses achados apontam para a possibilidade de que a creatina, além de seu uso esportivo, possa ter um papel secundário de proteção contra câncer em populações gerais.
Porém, por tratar-se de um estudo transversal e observacional, não é possível estabelecer causalidade. Fatores não medidos ou vieses de confusão poderiam influenciar os resultados.
Para confirmar essa hipótese, são necessárias pesquisas prospectivas, com seguimento ao longo do tempo, e ensaios clínicos que avaliem diretamente os efeitos da suplementação de creatina sobre marcadores tumorais ou incidência de câncer.
Fonte: Agência Correio
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